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22 de janeiro de 2014

Há poucos dias estive passeando por Maceió, Alagoas, em visita a uma grande amiga - Tereza Cabral.
Tive a oportunidade de entrar em contato com a poesia de Otávio Cabral, seu irmão.
Otávio Cabral é ator, escritor e professor de Literatura Dramática na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Dentre os belos poemas apresentados em seu livro Memorial das Andanças, escolhi para compartilhar com meus amigos, um que me tocou bem profundamente: 

ARTE 

Quando a tarde escurecer
Dentro de mim e uma sombra
Acridoce me vestir
E esse cheiro de terra
e esse peso de terra
forem parte de mim.
Quando no vento de outono
meu nome se dispersar
e eu for apenas lembrança
Quando nem mesmo lembrança
eu for um rosto na foto
e perguntarem quem foi
Resta o exílio dos versos
onde residem meus pais
onde também ficarei
Mesmo que oculto do mundo
Dentro de um sono profundo
ainda assim estarei.



7 de maio de 2013

AS FLORES


Rosa, tulipa, violeta,
girassol, nuvem e amor perfeito,
são flores
flores cheirosas
várias cores
vários tons.
Tons gelados e quentes
escuros e claros.
Flores e mais flores
jardim florido é lindo
mas só com um tipo de flor?
A graça é o jardim florido
com todas as flores.

Julia, minha neta, 7 anos


DANÇA DOS INSTRUMENTOS




O que será 
que meus instrumentos musicais
fazem quando estou
fora de casa?

Será que o violão
vai para o batidão
ficar numa boa
dançando um forrozão?

Será que o cavaquinho
brinca com o violino
com meus bonequinhos?

E será que são eles
que quebram 
meus brinquedinhos?

E o tambor,
será que sente
muito calor
no meu armário fechado?

E isso é o que acho
que meus instrumentos fazem
quando ficam sós
e isolados.

Carlos Henrique, meu neto, 9 anos

28 de abril de 2013

RITUAL





No círculo feito sobre a areia
De seixos lisos do rio tirados
Acende o fogo da lenha grossa
Se preparando para a magia.
O manto negro no corpo nu
Acaricia a pele macia
Cabelos longos soltos ao vento
Já se prepara para o encantamento.
No caldeirão sobre a fogueira
Nadam as ervas, ebulição
Sobe o aroma que invade o espaço
Realizando sua missão.
Feitiço pronto entregue à Deusa
Girando nas 4 estações
A cada uma, Elemental
Vem em auxílio com compaixão.
Um uivo forte já anuncia
Chegou a hora do nó marcado
Ser pela lua iluminado
Para livrar de todo o mal.
Em reverência agradece
Incorporando o voo alto
Recolhe as garras tão afiadas
Segue o destino, encontra o fim.

Eleonora





20 de junho de 2010

Carmen Regina - poeta, amiga - rainha

(Instalação do artista plástico Antonio Carlos Machado, Prêmio João TUrim, 2003)

Em termos

Não se engane com meus termos,
não são empíricos, não são palpáveis;
não são deste mundo,
desenrolam-se em universos paralelos,
surdos aos que só desejam entender.
Eu pego o fio no novelo dos sonhos
e, nem bem abro os olhos para o sol,
já saio bordando os instantes.
À noite, com ou sem luar,
coloco os termos pra sonhar,
e eles despertam saboreáveis,
feito poemas.

Carmen Regina

3 de março de 2010

VALE DA LUA

Rodas seguem pelo barro
Adentrando bela mata
Formam túnel altas copas
Folhas velam brilho sol
Claro/escuro, luz e sombra
Para abrir-se rumo à trilha
Caminhada em descida.
Muda a esfera
Muda o mundo
Sai da terra
Cai no espaço
Para enfim aterrissar
No teu rochoso vale
Na tua seiva gelada
Em ti, lua de prata.

1 de março de 2010

CONTEMPLAÇÃO

 
Eis-me aqui a contemplar montanhas
A deixar-me libertar da poeira do tempo
Pelo vento que sopra frio, constante.

Eis-me aqui a contemplar montanhas
A deixar-me purificar pelo fogo,
pela paixão do sol que me toma
acariciante, envolvendo-me em seu calor e luz.

Eis-me aqui a contemplar montanhas
Entregando-me ao cosmo
Aos Deuses, e a Grande Deusa.