1 de agosto de 2011

Imbolc



Imbolc
 
1º de Fevereiro (Hemisfério Norte) e 1º de Agosto (Hemisfério Sul).
Imbolc, também chamado Oilmec e Candlemas ("Candelária"), celebra o despertar da terra e o crescente poder do Sol. A Deusa é venerada em seu aspecto de Virgem da Luz e seu altar é decorado com galanto, que anuncia a primavera. É a festa da lactação, da bênção aos recém-nascidos, pois a Deusa amamenta o Deus renascido na forma de seu filho.
 
 
 
Imbolc - o crescimento da luz

"Este Sabbath teve origem na antiga Irlanda, nas comemorações da deusa Brighid, Brigid ou Brigith, homenageada como a "Noiva do Sol". Apesar de ter lugar no auge do Inverno, este festival era dedicado ao aumento da luz e ao despertar das sementes enterradas na terra congelada. Na Roda do Ano, Imbolc é o oposto de Lughnasadh e festeja a Deusa como Donzela.
Imbolc ocorre seis semanas após Yule, simbolizando a recuperação da deusa após o parto da criança solar e a sua transformação em Donzela jovem e cheia de vigor. A Igreja Católica aproveitou o antigo significado pagão e transformou esta data na festa da Candelária, a Purificação de Maria. A própria deusa Brighid foi cristianizada como Santa Brígida e seu santuário foi transformado em um mosteiro de monjas.
Brigidh ou Bride (pronuncia-se Bríd), era uma Deusa Tríplice, regente da Inspiração (arte, criatividade, poesia e profecia), da cura (ervas, medicina, cura espiritual e fertilidade) e da Metalurgia (ferreiros, ourives e artesãos). Por ser uma Deusa do Fogo, era homenageada com fogueiras, rodas solares, coroas de velas e rituais que despertavam ou activavam o Fogo Criador. As lendas celtas descrevem-na como a Deusa em sua apresentação de Donzela tocando, com o seu Bastão Mágico, a terra congelada pelo Cajado da Anciã, despertando-a para a vida e aumentando a luz do dia.
O Sabbath Imbolc, cujo nome significa "apressar-se", celebrava o aumento da luz e a derrota do Inverno. Na véspera, todos os fogos e luzes eram apagados para serem reacendidos, ritualisticamente, com as brasas das fogueiras dedicadas a Brigith.
Neste dia, com a comemoração do Disting, os povos nórdicos "enterravam" a negatividade e as agruras do Inverno, acendendo fogueiras nas encruzilhadas e purificavam a terra, salpicando sal e cinzas sobre ela.
A versão romana deste Sabbath (que originou a Treguenda relativa na Bruxaria Italiana) era a Lupercália e os alegres festejos para as deusas Frebua, Diana e Vênus.
Na maioria das Tradições da Wicca, nesta data, são feitas as Iniciações dos novos adeptos e as Confirmações das Sacerdotisas. Por ser Brigith uma deusa da cura, padroeira das Fontes Sagradas, ela era invocada nos rituais de purificação e cura, sendo reverenciada nas Fontes a ela consagradas. Até hoje, em certos lugares da Grã-Bretanha e Irlanda, as pessoas amarram fitas ou pedaços de roupas nas árvores próximas às antigas Fontes Sagradas, actualmente dedicadas a Maria ou às santas católicas, orando para obter a cura dos seus males.
A atmosfera deste festival é marcada pelo despertar das sementes, dos novos planos e novos projectos, pela iniciação em um caminho espiritual ou em novas oportunidades, pela aceleração e renovação das energias, pela purificação e pelo renascimento material ou espiritual, pela busca de presságios e pela preparação para sua realização.
Imbolc é uma data propícia para despertar a criatividade e abrir-se à inspiração por meio da poesia, canções, narrativas, desenho, cerâmica ou dança. (...)
(Fonte: FAUR, Mirella)
 

3 de julho de 2011

Bruxa, gente esquisista


É gente de conteúdo interno que transcende a compreensão medíocre, simplória. É gente que tem idealismo na alma e no coração, que traz nos olhos a luz do amanhecer e a serenidade do ocaso. Tem os dois pés no chão da realidade. É gente que ri, chora, se emociona com uma simples carta, um telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um abraço, um afago. É gente que ama e curte saudades, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais. Admira paisagens. Poeira traz lembranças de chão curtido de sonhos passados. Escuta o som dos ventos. Dança a dança do mundo pelo simples prazer de dançar. É gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternura, compartilhar vivências e dar espaço para as emoções dentro de si. Emoções que fluem naturalmente de dentro de seu ser! É gente que gosta de fazer as coisas que gosta, sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam. Gente que semeia, colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto.É gente muito estranha as Bruxas. Gente de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos. Gente que fala com plantas e bichos. Dança na chuva e alegra-se com o sol. Cultuam a Lua como Deusa e lhe faz celebrações... Eh!!Gente muito estranha essas Bruxas. Falam de amor com os olhos iluminados como par de lua cheia. Gente que erra e reconhece, cai e se levanta, com a mesma energia das grandes marés, que vão e voltam em uma harmoniosa cadência natural. Apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros e fazendo redentores suas lágrimas e sofrimentos. Amam como missão sagrada e distribuem amor com a mesma serenidade que distribuem pão. Coragem é sinônimo de vida, seguem em busca dos seus sonhos, independente das agruras do caminho. Essa gente, vê o passado como referencial, o presente como luz e o futuro como meta. São estanhas as Bruxas! Acreditam no poder do feminino, estão sempre fazendo da maternidade a sua maior magia e através da incessante luta pela paz chegam a divindade de existir pelo amor da Grande Mãe, a natureza. Da mesma forma que produzem um belíssimo visual, de elegância refinada com as raias da vaidade, se vestem como verdadeiras Bruxas medievais a caminho do patíbulo. Iluminam de beleza e jovialidade o corpo físico com habilidade mágica e com facilidade transforma-se, permitindo-se um sóbrio aspecto de velha senhora, a depender da lua nos seus espirítos... Cultuam as sagradas tradições como forma de perpetuar as leis que regem o universo, passam de geração para geração a fonte renovadora da sabedoria milenar. São fortes e valentes, ao mesmo tempo humildes e serenas. São leoas e gatinhas, são muito estranhas as Bruxas. Com a mesma habilidade que manuseiam livros codificados, o fazem com panelas e vassouras... São aventureiras e criam raízes, dançam rock, valsa e polka, danças sagradas , e inventam o que precisa ser inventado. Criam e recriam. Contam contos e histórias de fadas, e carochinhas, contam suas próprias histórias... Falam de generosidade e de todas as daides em exercício constante, buscam a plenitude como propósito... Interessante essa gente, essas Bruxas. Se obrigam tarefas, de evoluir, de amar e dividir... falam de desapego em plena metrópole , em meio as tecnologias. Cantam mantras e Músicas populares, mas se emocionam com as folclóricas. Mexem com ervas e chás, são primitivas e avançadas. Pulam da mesa do rei para um abrigo montanhês com o mesmo sorriso enigmático de prazer e sabedoria que iluminava a face das suas ancestrais. Degustam um pão artesanal, receita medieval da velha senhora das montanhas com a mesma gula que o fazem em um banquete cinco estrelas, com pães ultra sofisticados daquela celebridade da cozinha francesa. Amam em esteiras e em grandes suítes, desde que estejam felizes, pois ser feliz é sempre a única condição dessa gente estranha. É gente que compra briga pela criança abandonada, pelo velho carente pelo homem miserável, pela falta de respeito humano... é gente que fica horas olhando as estrelas, tentando decifrar seus mistérios, e sempre conseguem. Gente que lê em fundos de xícaras, em bolas de cristal, tarot, com pedras, na areia, nas nuvens, no fogo, no copo d'água... são muito estranhas! Oram para elementais, anjos e gnomos. Falam com intimidade com os Deuses e lhes chamam para um círculo, fazem fogueiras e dançam em volta... Viajam de avião, a pé, de carro e em lombos de animais, agradecendo pelas oportunidades que a vida lhes dá... aliás, essa gente estranha agradece por tudo, até pela dor, que chamam de mãe, pois acreditam que é a forma mais rápida para a evolução... Se reúnem em escolas iniciáticas que chamam de coven, para mutuamente se bastarem, se protegerem se resguardarem, resgatar valores, estudar, muito estranhas são as Bruxas. Mas estranha mesmo é a fé que as mantém vivificadas ao longo de cinco mil anos. Que seja abençoada toda essa gente estranha...e desconfio que é deste tipo de gente que a DEUSA precisa para o terceiro milênio... 

Graça Lúcia Azevedo 

Senhora Telucama 

05/99